O retrato dos intermediários de crédito em Portugal: um setor mais profissional, digital e preparado para crescer

07.07.2026 Aperto de mão entre intermediário de crédito e cliente após aprovação de crédito habitação, com chaves e maquete de casa sobre a secretária

A intermediação de crédito à habitação continua a ganhar relevância em Portugal. Mais profissional, mais digital e cada vez mais reconhecido pelos consumidores, o setor acredita que o seu peso no mercado continuará a aumentar nos próximos anos. Esta é uma das principais conclusões do primeiro estudo dedicado aos intermediários de crédito em Portugal, divulgado pela UCI, que traça um retrato da realidade de um setor que se tornou uma peça essencial no acesso ao crédito habitação. 

O estudo, realizado junto de 733 gestores de crédito, mostra um setor que soube adaptar-se às novas exigências dos consumidores sem perder aquilo que continua a ser um dos seus principais ativos: a proximidade.

A confiança continua a ter uma morada física

Num momento em que muitos serviços financeiros migraram para o digital, um dos dados mais surpreendentes do estudo é que 90% dos intermediários de crédito continuam a ter estabelecimentos abertos ao público. O dado demonstra que, apesar da crescente digitalização, a decisão de contratar um crédito habitação continua a assentar numa relação de confiança, onde o contacto pessoal mantém um peso significativo. 

Ao mesmo tempo, o digital tornou-se indispensável para chegar aos clientes. Mais de 80% dos intermediários divulgam os seus serviços online e 81,9% recebem contatos através de canais digitais, refletindo uma realidade em que a captação começa cada vez mais na internet, mas frequentemente termina numa relação personalizada. 

O que os clientes procuram num intermediário?

O estudo ajuda também a perceber porque razão os consumidores recorrem a um intermediário de crédito.

Segundo os profissionais inquiridos, o principal valor reconhecido pelos clientes é o acesso às melhores propostas financeiras, muito acima de fatores como a rapidez da resposta ou a simples comparação entre ofertas. Quando chega o momento de escolher a entidade mutuante, a prioridade mantém-se clara: as condições financeiras são, de forma quase unânime, o critério mais importante, referidas por 91,1% dos participantes. 

Estes resultados reforçam uma tendência que se tem vindo a consolidar nos últimos anos: o consumidor procura cada vez mais alguém que o ajude a comparar soluções e a tomar uma decisão informada, em vez de analisar isoladamente a proposta de um único banco.

Um setor cada vez mais estruturado

O estudo mostra igualmente um mercado composto maioritariamente por empresas de pequena dimensão, embora com um elevado nível de especialização.

Mais de metade das empresas têm até cinco colaboradores, mas 71,2% trabalham com mais de sete entidades financeiras, permitindo apresentar aos clientes um conjunto alargado de soluções de financiamento. 

Apesar de 66,7% dos intermediários receberem mais de 20 novos clientes por mês, quase metade concretiza menos de dez escrituras mensais. O dado mostra que a atividade vai muito além da simples angariação de clientes: existe um processo exigente de análise, qualificação, negociação e acompanhamento até à conclusão do crédito. 

Também os prazos confirmam essa realidade. Para a maioria dos profissionais, decorrem entre 31 e 60 dias entre o primeiro contacto com o cliente e a escritura, embora uma parte significativa dos processos ultrapasse os dois meses. 

O futuro passa por uma maior notoriedade

Se há uma mensagem que atravessa todo o estudo é o otimismo relativamente ao futuro da profissão.

Quase metade dos inquiridos (48,7%) acredita que o peso dos intermediários de crédito no mercado da habitação continuará a aumentar nos próximos três anos, enquanto apenas uma pequena minoria antecipa uma redução da sua importância. 

Curiosamente, quando questionados sobre o principal motor desse crescimento, os profissionais apontam sobretudo para o aumento da notoriedade do setor, mais do que para o investimento em marketing ou na captação de novos clientes. A inteligência artificial e a robotização surgem também entre os fatores identificados como capazes de acelerar a evolução da atividade. 

Um setor que conquistou um lugar no mercado

Desde que passou a estar sujeito à supervisão do Banco de Portugal, em 2018, a intermediação de crédito percorreu um caminho de crescente profissionalização. O estudo da UCI confirma essa evolução e mostra um setor que alia proximidade, conhecimento especializado e tecnologia para responder a consumidores cada vez mais informados e exigentes. 

Mais do que um canal de distribuição de crédito, os intermediários assumem hoje um papel de consultores financeiros, ajudando as famílias a comparar propostas, compreender as diferenças entre produtos e tomar decisões mais conscientes num dos momentos financeiros mais importantes da sua vida.

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