Separação ou divórcio: reorganizar as finanças também faz parte de recomeçar
O fim de uma relação traz mudanças emocionais, familiares e financeiras. Dar atenção ao dinheiro não resolve a dor, mas pode evitar que os problemas se prolonguem durante muitos anos.
Ninguém casa a pensar na separação. E, quando ela acontece, há decisões que parecem muito mais urgentes do que olhar para uma folha de Excel ou rever o orçamento familiar.
Há filhos para proteger, uma nova rotina para organizar e uma vida que, de um dia para o outro, se altera de forma muito significativa.
É precisamente por isso que tantas pessoas acabam por adiar as decisões financeiras. O problema é que as contas não esperam. A prestação da casa continua a chegar, as despesas mantêm-se e, muitas vezes, o rendimento disponível passa a ser bastante menor.
Organizar as finanças não significa colocar o dinheiro à frente das pessoas. Significa criar estabilidade para conseguir reconstruir a vida com maior tranquilidade.
É aqui que a educação financeira ganha verdadeiro significado.
Há uma vida "antes" e uma vida "depois"
Quando duas pessoas partilham uma casa durante anos, também partilham despesas, objetivos e responsabilidades.
Depois da separação, tudo muda.
De repente, onde existia um orçamento comum passam a existir duas realidades completamente diferentes. Há quem passe a suportar sozinho despesas que antes eram divididas. Há quem tenha de procurar uma nova casa. Há quem veja o rendimento diminuir significativamente.
Antes de tomar qualquer decisão financeira importante, vale a pena parar e responder a uma pergunta simples:
Como é, afinal, a minha situação neste momento?
Faça uma lista com:
- os seus rendimentos;
- todas as despesas mensais;
- créditos existentes;
- seguros;
- poupanças;
- património.
Por muito difícil que seja este exercício, conhecer a realidade é sempre melhor do que viver na incerteza.
A casa é, quase sempre, a decisão mais difícil
Para muitas famílias, o maior património é também a maior preocupação.
Ficar com a casa? Vendê-la? Comprar a parte do outro? Continuar ambos como proprietários durante algum tempo?
Não existe uma resposta certa para todos.
O importante é perceber se a decisão é financeiramente sustentável. Manter uma casa apenas porque existe uma ligação emocional pode transformar-se, meses mais tarde, numa fonte permanente de preocupação.
Por outro lado, vender rapidamente, apenas para "fechar este capítulo", pode significar perder dinheiro.
É uma decisão que merece tempo, reflexão e aconselhamento.
Há despesas que já não fazem sentido
Separações obrigam-nos a recomeçar, mas também podem ser uma oportunidade para simplificar.
Este é um bom momento para rever contratos de telecomunicações, seguros, subscrições digitais ou serviços que deixaram de fazer sentido.
Não são mudanças que resolvam todos os problemas financeiros, mas ajudam a criar um orçamento mais ajustado à nova realidade.
E, muitas vezes, são precisamente estas pequenas decisões que devolvem alguma margem ao final do mês.
O dinheiro também mexe com as emoções
É difícil falar de finanças quando ainda se está a lidar com uma separação.
Há quem faça compras impulsivas para compensar o momento que está a viver. Há quem aceite acordos desfavoráveis apenas para evitar conflitos. Há quem adie decisões importantes porque simplesmente não consegue olhar para o assunto.
Tudo isto é compreensível.
Mas as decisões tomadas num momento de maior fragilidade emocional podem ter consequências durante muitos anos.
Sempre que possível, dê tempo às decisões mais importantes. Fale com profissionais, procure informação e tente separar aquilo que sente daquilo que precisa de decidir.
Os filhos também aprendem nestes momentos
Quando existem crianças, a preocupação é naturalmente protegê-las da instabilidade.
Mas isso não significa esconder completamente a realidade.
Sem entrar em detalhes que não lhes dizem respeito, é possível explicar que agora será necessário gerir o dinheiro de forma diferente, fazer escolhas e definir prioridades.
Essa conversa, adaptada à idade de cada criança, também é educação financeira.
E talvez seja uma das lições mais importantes que levarão para a vida adulta.
Recomeçar também passa por criar novos objetivos
Depois de ultrapassada a fase inicial, chega o momento de olhar para a frente.
Criar um fundo de emergência.
Voltar a poupar.
Definir novos objetivos.
Organizar um orçamento.
Planear a compra de uma casa ou um novo projeto de vida.
A separação representa o fim de uma etapa, mas não define aquilo que acontece a seguir.
Recuperar o controlo das finanças é, muitas vezes, um dos primeiros sinais de que a vida começou novamente a ganhar equilíbrio.
Em resumo
Nenhuma separação é fácil. Mas adiar as decisões financeiras tende apenas a aumentar a dificuldade.
Conhecer a nova realidade, reorganizar o orçamento, analisar a situação da habitação e procurar aconselhamento quando necessário são passos que ajudam a transformar um período de grande instabilidade numa oportunidade para construir um futuro mais sólido.
A educação financeira não elimina os momentos difíceis. Mas ajuda-nos a atravessá-los com maior segurança.
Como pode a Maxfinance ajudar?
Quando existe um crédito à habitação contratado pelo casal, uma separação origina sempre novas questões. Um dos elementos pode ficar com a casa? É possível retirar um titular do crédito? Existe margem para negociar as condições do crédito? Será melhor vender o imóvel? Ou fará sentido transferir o financiamento para outro banco?
São decisões com impacto financeiro durante muitos anos e, por isso, devem ser tomadas com informação e acompanhamento especializado.
Na Maxfinance, ajudamos diariamente famílias a analisar estas situações, comparando soluções junto de diferentes instituições bancárias e encontrando a opção mais adequada para cada caso. O objetivo é que possa tomar decisões com confiança, sabendo que está a escolher a solução que melhor protege o seu futuro financeiro.
Porque recomeçar a vida também passa por reorganizar as finanças.